Contra a Cegueira da Ordem Estabelecida

Título:

Contra a Cegueira da Ordem Estabelecida

Organizadores:

Grupo Realidades – Coordenadores: Profª Drª Silvia Laurentiz e Prof. Dr. Marcus Vinicius Fainer Bastos.

Membros autores:

Aline Gabrielle Renner
Beatriz Murakami
Bruna Mayer
Cássia Aranha
Clayton Policarpo
Dario Vargas
Lali Krotoszynski
Loren Bergantini
Marcus Bastos
Sergio Venancio
Silvia Laurentiz

Resumo:

O trabalho questiona o gesto do olhar por meio de uma instalação audiovisual em que o visitante é é instigado a espiar através de um pequeno orifício em uma caixa. Neste instante, a partir de um código desenvolvido em Processing, uma câmera captura a imagem do olho do visitante e o insere na cena original do filme Um cão andaluz (1929), de Luis Buñuel e Salvador Dalí, substituindo o olho da atriz pelo do visitante.

Descrição geral do Projeto:

O trabalho consiste em uma instalação audiovisual desenvolvida a partir da emblemática cena do filme Um cão andaluz (1929), de Luis Buñuel e Salvador Dalí, em que vemos o olho de uma mulher ser cortado por uma navalha. No espaço instalativo é exibida uma projeção em looping da cena que precede a mutilação, na qual um homem está afiando uma navalha. Há uma caixa com um pequeno orifício, através do qual o visitante é instigado a espiar. Dentro desta caixa, é possível ler em um display frases que incitam o visitante a olhar, questionando-o a respeito desse próprio gesto e provocando-o a duvidar de sua pretensa simplicidade. Neste instante, a partir de um código desenvolvido em Processing, uma câmera captura a imagem do olho do visitante e o insere na cena original do filme, substituindo o olho da atriz pelo do visitante.

Como movimento que pretendia problematizar a estética e os valores estabelecidos de uma sociedade burguesa e burocrática, ainda hoje, passados mais de 80 anos desde a publicação do Manifesto do Surrealismo (1924), por Andre Breton, as obras desenvolvidas no período ainda provocam inquietações e reflexões. Embora Buñuel afirmasse que não havia qualquer intenção de produção de sentido com o filme (ao contrário, a única regra do roteiro seria escapar à racionalização), Um cão andaluz tornou-se uma referência do Surrealismo, e muitas foram as tentativas de encontrar explicações e interpretações sociais, políticas, culturais e psicológicas para as cenas do filme.

A cena em que o olho é fendido por uma navalha, particularmente, permite inúmeras leituras. O que significa cortar um olho? Em breve texto sobre a cena, Carlos Fuentes escreve: “O olhar insatisfeito, condenado, perigoso, secreto, contra o olhar confortável, conformista, consagrado; os olhos do mundo total, contaminado, desejoso, revolucionário, contra a cegueira da ordem estabelecida”. Entendemos a leitura de Fuentes por um viés político: aqui, cortar um olho é um gesto emancipador, que liberta o olhar insatisfeito e questionador dos limites de um olhar neutralizado, isto é, conformista, apático, condicionado, automatizado. Olhar é também uma atitude política, e abrir os olhos pode ser uma experiência tão violenta quanto o corte de uma navalha.

Cortar um olho: contaminá-lo com o desejo de enxergar.

FUENTES, Carlos. Prólogo. In: CESARMAN, Fernando C. El Ojo de Buñuel: Psicoanalisis desde una butaca. Barcelona: Editorial Anagrama, 1976.

Categoria:

Instalação

Ficha técnica:

  • 01 projetor de vídeo
  • 01 computador
  • 01 webcam
  • 01 Placa Arduino Uno
  • 01 protoboard
  • 01 Módulo de LCD