Palestra com Rui Chaves (Portugal): Performing Sound - walking, field recording and mobile transmission

Esta apresentação lida com a ideia de performance — sob o signo da presença física e autoral do artista — para questionar ortodoxias em determinados ‘fazeres’ da arte sonora. Isto enquadra uma inter-disciplinaridade na maneira de criar e apresentar arte sonora, criando estratégias relativas aos temas de gesto, texto, tecnologia e lugar. Esta discussão é aprofundada através da apresentação de três trabalhos em áreas de prática definidas como 'walking', 'field recording' e 'mobile transmission'.

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Walking (andar) evidencia a relação entre performance, som e mobilidade como uma forma de ritual. Isto é manifesto através do processo de guiar e desenhar um percurso de performance para uma pessoa ou grupo através da cidade; no uso de gestos/ações que investigam determinadas texturas espaciais e acústicas; na investigação de tecnologia móvel para instigar memórias pessoais ou histórias.
Em field recording (gravação sonora de campo), o tema da presença autoral e física de quem grava, permite uma discussão da responsabilidade do artista em lidar com e apresentar um sítio. A discussão da noção de performance em field recording, prende-se com a necessidade de reflectir sobre o processo, não somente através do "som em si mesmo", mas também através da situação criada pelo artista e as suas motivações em lidar com o meio. Desta forma, field recording é apresentada como uma metodologia e uma prática documental que entra em contraste com o discurso predominante relativamente à área, que foca em questões formais como a não edição ou alteração do material gravado.

Mobile Transmission (transmissão móvel) é apresentado aqui como ideia que abrange o trabalho em performance e música em rede. Esta prática explora a apresentação de tempo, espaço e presença de um performer. Estes elementos tentam não só simular uma possível sincronia entre performers espalhados geograficamente, mas também novas formas de exploração urbana através de ações sonoras como vocalizações ou actos percussivos. A prática de transmissão tenta explorar novas formas sonoras e performativas de lidar com poéticas espaciais e temporais através de redes tecnológicas, ao lidar com: mediação (explorando o processo de apresentar visualmente e sonicamente sítios remotos, usando a distância como um processo de composição e performativo); topologia (características culturais, sociais e técnicas da comunicação em rede); e dramaturgia (a criação de uma estrutura que permite a interação entre mediação e topologia).

Date: 
segunda-feira, Setembro 28, 2015 - 14:00