Cultura hip-hop enfeita a comunidade

Dança, música e grafite compõem a paisagem do bairro e a vida de muitos de seus moradores.

“Eu acho lindo, se pudesse mandava pintar ainda mais”. É assim que Lia Oliveira descreve os grafites que cobrem a fachada do seu imóvel. “Não tem aquelas letras feias da pichação, grafite é mais desenhado”, continua ela.
Basta uma caminhada rápida pela São Remo para perceber que a arte de rua está presente em suas paredes e muros. Assim como Lia, muitos moradores se orgulham de ter suas casas enfeitadas dessa forma. É o caso também de Sheila Ribeiro, dona de um salão cuja fachada também é grafitada. “Eu gosto, é arte”, diz ela, contente.

Não só nas paredes

Comunidade mais colorida

O grafite, porém, não é a única manifestação dessa arte urbana e colorida. A dança hip-hop também se destaca na comunidade, que conta com dois grupos de altíssimo nível, os Galátikos e os Cybernétikos. Apesar de serem modalidades diferentes, a mensagem é a mesma: para Karlos Nascimento, líder dos Galátikos, “aquilo que o grafite transmite em forma de imagem, o rap transmite nas letras e a gente transmite na dança”.
Professor em escolas de dança como a Solum, Karlos começou a participar de apresentações de dança em 2007 e já em sua segunda apresentação ganhou o primeiro prêmio. Para ele, o hip-hop vem se tornando cada vez mais acessível e difundido, e hoje em dia há um grande interesse por esse tipo de arte até mesmo em escolas de dança da classe médiaalta. “Mesmo os rappers hoje em dia estão usando uma linguagem mais acessível para os ouvintes”.
Confiante no poder transformador da sua dança, Karlos sente que o hip-hop é importante para a sociedade também. Originado de uma festa entre vários grupos sociais marginalizados, essa expressão artística incentiva, para o professor, a aceitação e o respeito.

Presença feminina

Moradores com arte à vista

Prova do poder agregador do hip-hop é a presença cada vez maior de mulheres entre os dançarinos desse estilo. Bianca do Nascimento e Leticia Campos, veteranas dos Cybernétikos, dizem que não sentem nenhum preconceito dançando com os homens. Para elas, as mulheres invadiram o movimento e criaram para si seu próprio espaço, seu próprio estilo e seus próprios movimentos.
Everson Magnavita, líder do grupo, que já trabalha há anos com essa arte, pode confirmar isso: “hoje no mundo da Dança de Rua, o maior público é feminino. As mulheres são muito mais dedicadas e estão dominando cada vez mais seu espaço”.
As maiores dificuldades que elas enfrentam são a falta de tempo: além de estudar e trabalhar, as meninas ensaiam todos os sábados e domingos. É uma rotina cansativa, e que exige sacrifícios, mas que vale a pena. No dia 30 de Abril, os Cybernétikos levaram o segundo lugar no Meeting de Hip-Hop Valinhos 2012.
Para elas, a arte de rua se destaca porque está mais inserida na sociedade. “É o rap que bate de cara, que diz o que tem que ser dito”, comenta Luana Aguiar, que começou a ensaiar com os Cybernétikos recentemente. Assim como as outras meninas do grupo, ela acredita na importância social da arte de rua e diz que, se tivesse tempo, ensaiaria todos os dias.

Pichando muros, erguendo pontes
Mas essa inserção na sociedade não é a única coisa que o rap, o grafite e a dança hip-hop têm em comum. Essas formas de arte procuram sempre incluir a todos, superando as diferenças e aproveitando aquilo que cada um pode contribuir. Perguntado sobre quem pode aprender a dançar hip-hop, Karlos Nascimento responde: “O primeiro passo é o hip-hop bater no coração. Aí o esforço vira diversão. Mas qualquer um pode, basta querer”.

Hip-hop: origem

Grafite 3

Criatividade estampa fachadas

O hip-hop se originou no bairro do Bronx em Nova Iorque (Estados Unidos). Durante os anos 1960, o Bronx sofria com um grande número de gangues, que competiam entre si violentamente. No entanto, nos anos 1970, estas gangues vão se desarticulando e seus ex-integrantes passam a buscar um outro tipo de competição, uma disputa com criatividade. Neste contexto, estão as raízes da cultura hip-hop. A ideia era uma competição saudável, com a concentração de energia em elementos artísticos como a pintura (o grafite), a dança e a própria música.

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