OPINIÃO: O inacessível pode mudar

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por Isadora Bertolini Labrada

Os deficientes físicos vivem em um espaço urbano incompatível com suas necessidades e direitos. Essa dura dificuldade é vivida diariamente por cerca de 200 mil brasileiros, e ainda assim só foi entrar em discussão por causa da novela. Por que será?
O que causa a falta de visibilidade dos problemas dos deficientes é uma opinião extremamente equivocada. Alguns acreditam que a melhor maneira de lidar com a deficiência é escondê-la, mantê-la no conforto de casa com um sustento mínimo. Tal ideia é ultrajante, visto que um deficiente físico não pode ser privado do seu direito de usufruir de um espaço social. A sociedade, portanto, deve ser acessível para todos os cidadãos que a formam, tanto cadeirantes quanto cegos, surdos ou mudos.
Com que frequência vemos um ônibus devidamente equipado para um deficiente? Com que frequência vemos um edifício com rampas e elevadores largos o suficiente para uma cadeira de rodas passar? Infelizmente, o espaço
físico urbano de São Paulo não está preparado para as necessidades dos deficientes físicos. E um agravante dessa situação é a condição financeira. A personagem Luciana, da novela, pode “comprar” sua acessibilidade e conforto, o que muitos infelizmente não podem. A acessibilidade, porém, não é um produto ou um luxo para poucos, é um direito básico que a sociedade deve fornecer.
As pessoas com deficiência física são cidadãs que têm seus direitos negligenciados. Tanto no acesso a espaços físicos quanto à questão da empregabilidade (uma empresa deve ter entre 2 a 5% de funcionários
deficientes, dependendo do número de vagas que possui). A falta de fiscalização e de conscientização compõe a permanência desse quadro alarmante. A novela contribuiu para a divulgação do problema. Já o campo da fiscalização e da ação, esse ainda permanece inacessível para a sociedade.

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