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Realização





       Na semana em que se completam cinquenta anos da morte de Villa-Lobos, pretendemos promover uma ampla revisão de sua vida e obra.  Como bem observou Roland Barthes em Crítica e verdade:“não é de espantar que um país retome assim, periodicamente, os objetos do seu passado e de novo os descreva, para saber o que pode deles fazer: São e deveriam sempre sê-lo, práticas regulares de avaliação”; é nesse sentido que concebemos o Simpósio Internacional Villa-Lobos.
       O compositor envolveu-se ativamente em diversos aspectos da cultura brasileira, tanto em suas manifestações mais populares como o Carnaval, como também em foros de discussão de políticas públicas referentes à educação musical no ensino fundamental, debate este de suma importância, então e agora.  É oportuno reavaliar a forma e atuação de seu projeto de Canto Orfeônico dos anos 1930, de modo que possamos aproveitar seus aspectos positivos e negativos para, a partir dessa experiência, elaborar propostas que possam contribuir para que o retorno do ensino da música nas escolas seja viável e efetivo.
       Outro aspecto a ser tratado aqui é seu processo de criação musical. Villa-Lobos foi o primeiro compositor brasileiro a romper com a herança romântica e o academicismo, numa escala de invenção sem precedentes na tradição musical do nosso continente.
Sua atitude ousada e sem preconceitos nos obriga a abandonar o senso comum em torno de sua formação musical, considerada deficiente pela brevidade com que freqüentou os meios acadêmicos de sua época. Devemos considerar os anos que estudou sob a orientação de seu pai e o período em que conviveu informalmente com os professores do Instituto Nacional de Música como Frederico Nascimento, Alberto Nepomuceno e Agnello França; assim como as aulas de piano com sua primeira esposa, Lucília Guimarães e outras oportunidades de aprendizagem e troca de ideias no círculo Veloso-Guerra, onde conheceu nomes como Darius Milhaud, Vera Janacopoulos e Arthur Rubinstein. Assim como suas leituras do Cours de Composition Musicale de Vincent d’Indy, livro adotado no Conservatório de Paris àquele tempo. Sem falar na sua convivência com os mais interessantes músicos populares do Rio de Janeiro como Ernesto Nazareth, Pixinguinha, João Pernambuco e Sátiro Bilhar, entre outros.
       Só isso, associado a seu grande talento e esforço pessoal, explicaria como ele pode absorver as muitas novidades com que travou contato em Paris durante sua primeira temporada na Europa em 1923, onde conheceu a música de Stravinsky e outros importantes artistas do Modernismo.
       A atuação de Villa-Lobos na vida cultural brasileira transformou-o em um ícone nacional, mas sua atividade na Europa e nos Estados Unidos também foi de grande importância. Sua obra vem sendo bastante gravada e difundida em diversos países e chega o momento em que é necessário reformular sua significação crítica, técnica e estética. Daí a idéia de fazer deste Simpósio um painel abrangente sobre o compositor, em forma de concertos, comunicações, mesas redondas e palestras. Receberemos pesquisadores de diversas áreas do conhecimento e com ênfases variadas: Música: Teoria Musical, Performance e Composição; História; Sociologia; Jornalismo; Crítica; Educação.
       O Simpósio apresenta ainda a colaboração entre o Departamento de Música da Universidade de São Paulo (professores e alunos de Pós-Graduação e Graduação), Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) e Orquestra Sinfônica da USP (OSUSP).
Queremos agradecer imensamente ao apoio nos dado pela CAPES e destacar o suporte essencial das Pró-Reitorias de Cultura, de Extensão e de Graduação da USP. Queremos ainda agradecer às demais instituições parceiras, a Universidades Roma III e Sapienza, e as Universidade do Texas em Austin e de Indiana, de onde vieram respectivamente os professores convidados Raffaele Pozzi, Giorgio Monari, Elliott Antokoletz e Luiz Fernando Lopes. Cabe também mencionar a atuação e os esforços na divulgação da obra villalobiana pela Academia Brasileira de Música (representada por seu Presidente, Prof. Ricardo Tacuchian) e do Museu Villa-Lobos. Não menos, somos muito gratos à direção do Museu de Arte de São Paulo (MASP) pela cessão dos auditórios.

Carla Bromberg
Paulo de Tarso Salles
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Justificativa


        Villa-Lobos é uma entidade nacional. Sua personalidade resumiu uma época e sua obra consolidou um acesso da música brasileira à alta linhagem da música ocidental. Compositor que concentra universos e os revela através de uma técnica composicional singular no denso mundo modernista, Villa-Lobos apresenta-se como o mais profícuo campo de investigação acadêmica para a música nacional. No entanto, a historiografia sobre o compositor ainda é insuficiente não só para dimensionar as vias de acesso à sua linguagem, como também traçar os fluxos das regras tendenciais de uma época fragmentada em poéticas, mas determinada na busca pelo novo, pelos processos de re-significação da tradição musical. Os problemas se multiplicam quando o campo de observação avança sobre as contribuições para o desenvolvimento da linguagem idiomática de sua música; o entrelaçamento com a música de raiz e popular; os problemas ideológicos envolvidos na atuação como personagem público; enfim, no entendimento do amplo leque que se expõe revelando as singularidades desses espíritos ao mesmo tempo sintéticos e transformadores. É nesse marco que busca ampliar as considerações sobre esse compositor “do mundo” que se justifica o apoio institucional. O evento ocorrerá em função do cinquentenário de sua morte. Período que transcende o laudatório e permite a decantação crítica de sua obra pela experiência de pelo menos duas gerações de compositores, dos nacionalistas próximos aos vanguardistas radicais, e as atualidades da musicologia para encontrar sistemas e conceitos que tragam luz sobre a complexidade de seu pensamento musical. Ademais, justifica-se o apoio na medida em que o crescente interesse nacional e internacional pela obra de Villa-Lobos manifesta-se não somente em diversas produções artísticas por todo o mundo, como também na reflexão sobre a cultura brasileira em diálogo com a cultura do Ocidente. Nessa perspectiva é que pesquisadores de diversos estados e entidades brasileiras e do exterior (Finlândia, França, Itália, EUA, entre outros) irão se reunir nesse Simpósio, promovendo o intercâmbio das idéias em torno da recepção e análise da obra villalobiana em diversos contextos teóricos. Destaca-se ainda o esforço de grandes entidades na realização desse evento, que por si só é um marco nos eventos científico-artísticos no Brasil: o Departamento de Música da ECA/USP; a Orquestra Sinfônica da USP (OSUSP); o Instituto de Estudos Brasileiros (IEB/USP); o Museu Villa-Lobos e a Academia Brasileira de Música.
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Objetivo

        Movido pela data comemorativa, o objetivo primordial desse simpósio é remeter a análise da obra de Villa-Lobos a uma dimensão transdisciplinar que possa compreender as diversas dimensões que suas pertenças se projetaram na constituição do conhecimento musical do Brasil e da própria cultura musical mundial. Especificamente, o Simpósio busca discutir aspectos relevantes em campos específicos. Nesse sentido, o ideário é entrelaçar dinamicamente a discussão por cortes transversais de especialidades: a discussão teórica na perspectiva da performance; a visão das diversas mídias (cinema, crítica jornalística, literatura); o estudo da linguagem musical e sua inerente dimensão ideológica; a crítica historiográfica na perspectivas de várias modalidades metodológicas, da musicologia à antropologia; a educação e sua projeção nos conceitos da arte-ação pelos ideais de Villa-Lobos; a criação musical, seus artífices e o legado de Villa; em suma, a diversidade de tendências na discussão de um tema que se confunde com a própria cultura musical brasileira. Para tanto, o simpósio abrigará palestras e mesas redondas com estudiosos destacados da obra do maestro brasileiro, do Brasil e do exterior; comunicações de papers; concertos e masterclass. Em síntese, o objetivo é discutir a significação da obra de Villa-Lobos em função de novas e diversificadas perspectivas teóricas e estéticas, tratando de incentivar a produção de textos sobre a música de Villa-Lobos, desde uma perspectiva crítica alinhada com as tendências da musicologia coeva.

Organização





 
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