Pesquisa Perfil dos Jornalistas – 1 edição

Esta pesquisa realiza levantamento sobre o perfil dos jornalistas profissionais no Estado de São Paulo, e o ponto de vista do profissional sobre o seu trabalho. Os dados sobre o perfil e as falas dos jornalistas profissionais são confrontados com os discursos, veiculados na mídia especializada, sobre o jornalismo e o futuro da profissão. Esta pesquisa realiza o estudo proposto a partir do binômio comunicação e trabalho, o qual mobiliza o ponto de vista da atividade humana (ergológica) para entender as práticas profissionais no contexto da fusão de mídias e de relações de trabalho cada vez mais precárias. O projeto aborda o objeto empírico – amostras de jornalistas profissionais do Estado de São Paulo e da Capital São Paulo – a partir de métodos quantitativos (para traçar o perfil socioeconômico e de consumo cultural) e de métodos qualitativos (entrevista e grupos de discussão) para colher os relatos sobre as práticas profissionais. Os dados objetivos foram compilados e quantificados com gráficos e análises comparativas. Os discursos dos entrevistados e os diálogos dos grupos de discussão foram transcritos e analisados por meio da Análise do Discurso. Obtém-se como resultado um mapa do perfil do jornalista e o ponto de vista deste profissional sobre seu trabalho, sobretudo no que diz repeito a sua identidade no trabalho, as rotinas produtivas, as condições de trabalho e a compreensão dele da relevância do jornalismo para os cidadãos. Espera-se que os resultados possibilitam entender qual o compromisso do jornalista com o direito à informação, bem como contribuir para o aperfeiçoamento da formação universitária desse profissional.

Realizar um levantamento sobre o perfil dos jornalistas profissionais no Estado de São Paulo, tendo em vista as mudanças no mundo do trabalho no setor da Comunicação. O levantamento abrangerá dados sobre faixa etária, escolaridade, vínculo empregatício, relações de trabalho, perfil sócio-econômico e de consumo cultural, bem como o ponto de vista do profissional sobre o seu trabalho. Os dados sobre o perfil e as falas dos jornalistas profissionais serão confrontados com os discursos (das empresas de comunicação, da mídia em geral e da academia) sobre o jornalismo e o futuro da profissão. Acredita-se que é urgente um estudo aprofundado sobre as mudanças que vêm ocorrendo na área do jornalismo (inclusive daquelas propostas pela Comissão de Jornalismo do Ministério da Comunicação, presidida pelo Prof. José Marques de Melo) e que têm sido protagonizadas pela fusão de mídias e por relações de trabalho cada vez mais precárias.

“Nada mudou tanto no mundo quanto a empresa de comunicação.”

Essa frase de Jairo Mendes Leal, atual presidente da Editora Abril, enunciada durante entrevista que com ele realizamos em 2007. O cenário de rearranjo das empresas é um índice da concentração do mercado editorial e das disputas que ocorrem entre as grandes empresas do setor. Esse movimento, segundo Faustino (2004), expressa-se na concentração dos meios de comunicação em cinco ou seis grupos empresariais internacionais, cada vez mais poderosos, que concentram 50% das receitas publicitárias e das grandes tiragens de jornais e revistas em todo o mundo. Ele aponta em seus estudos a existência de cinco grandes tendências, que se relacionam direta ou indiretamente com as fusões e os movimentos de concentração empresarial das empresas de media, particularmente dedicadas à atividade de imprensa: 1- tendência para a fusão e concentração empresarial; 2- tendência para a ancoragem nas tecnologias; 3- tendência para a adoção de práticas de gestão de marketing; 4- orientação para a racionalização dos custos e rentabilidade; 5- globalização da indústria da comunicação. (Faustino, 2004: XVIII)[

Os aspectos apontados por Faustino manifestam-se nas respostas dos profissionais que fizeram parte da pesquisa que realizamos entre 2006-2008 e também já foram citados no estudo da Unesco, publicado em 2000, que deu origem ao Rapport Mondial sur la Culture. No Brasil, os dados da pesquisa Perfil da Economia da Cultura, realizada pelo IBGE, 2003-2005, apontam a relevância e especificidade do setor da economia da cultura, bem como a tendência de concentração.

Esse cenário conforma a nossa pesquisa embora não seja o foco dela. Os dados nos interessam à medida que, como realidade material, consubstanciam as relações no mundo do trabalho do jornalista. Ao aproximarmos Comunicação e Trabalho, propomos estudar esses fenômenos interdependentes como faces da especificidade da atividade humana.

Nossa hipótese teórica é de que a aproximação de Comunicação e de Trabalho, a partir da conceituação desse binômio pela abordagem da Ergologia, ou seja, da atividade humana, permite a problematização do objeto de estudo de uma maneira mais complexa e pluridisciplinar. Permite-nos compreender os fenômenos relativos a contextos particulares, com destaque para o sujeito social, em relação e influência a contextos sócio-econômicos mais amplos. Sem, no entanto, nos afastarmos do que para nós é fundamental: os sujeitos da comunicação (corpo-si, para a Ergologia). Abre-nos a perspectiva de estudar a Comunicação a partir da atividade de trabalho, tendo como metodologia privilegiar os discursos e as relações de comunicação que se dão nas empresas.

As teorias de comunicação, durante longo período, manifestaram visão limitada da comunicação, tendo-a como transmissão de informação de maneira linear de um pólo a outro. Reproduziram-se, em relação à comunicação simbólica humana, a análise que se fazia do veículo em movimento, da ideia de transporte e de transmissão de dados, via instrumentos técnicos, por exemplo, a transmissão da voz via telefone, ou a transmissão de sinais via fax. Esses são fundamentos diferentes que se complementam, mas a comunicação humana pressupõe atividade humana, uma forma específica de dar sentido ao mundo.

Tratar da comunicação a partir do ponto de vista da atividade humana permite propor uma prática de pesquisa que aproxima os diferentes saberes disciplinares com a experiência vivida, a partir do questionamento orientado pela atividade real de trabalho. Fato que recoloca para cada Disciplina uma reflexão epistemológica sensível à vida, à atividade real e não apenas àquela prescrita. Permite também entender como se vinculam dialeticamente atividade humana, saberes constituídos (ciência, normas) e valores (mensuráveis como o dinheiro; e imensuráveis como a vida, a saúde, a cidadania). Três aspectos que perpassam as organizações sociais e a sociedade como um todo e nos permitem entender como as escolhas feitas pelos sujeitos (corpo-si), no âmbito do micro e do macro-social, estão influenciadas por eles.

Defendemos que a partir dessa abordagem teórica, os valores do bem-comum, de responsabilidade social e valores éticos ganham privilégio e possibilidade real de conformar as relações sociais. Ao mesmo tempo, a abordagem de comunicação e trabalho como atividade humana é capaz de identificar as contradições impeditivas da consecução de tais valores.

Do ponto de vista metodológico, nossa abordagem teórica propicia tratar as mudanças no setor da Comunicação a partir da experiência e da trajetória de vida de quem está vivenciando esse processo, identificando suas contradições.

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